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Apesar da expressiva redução de 27,4% no preço do diesel vendido pela Petrobras às distribuidoras desde janeiro de 2023, o alívio não chegou de forma proporcional ao bolso do consumidor brasileiro. Enquanto o valor cobrado pela estatal caiu de R$ 4,05 para R$ 2,94 por litro, o preço médio nas bombas recuou apenas 6,9%, passando de R$ 6,51 para R$ 6,06, segundo dados do Ministério de Minas e Energia.
Para o professor Márcio D’Agosto, titular de Engenharia de Transportes da COPPE/UFRJ, o descompasso entre o preço de produção e o valor pago pelo consumidor final se explica pela estrutura complexa da formação de preços no Brasil. “O preço final do diesel é uma combinação de diferentes fatores, sendo o preço de produção, a parcela da Petrobras, o maior componente. Mas ele é apenas uma parte da equação. Há também os impostos federais e estaduais, o custo do biodiesel e as margens das distribuidoras e dos postos”, explica o pesquisador.
Um dos principais fatores que têm limitado a queda do diesel nas bombas é o retorno e o aumento da carga tributária. No fim de 2022, o governo federal zerou os impostos sobre o diesel para conter a alta de preços que chegou a R$ 7,67 por litro em julho daquele ano. Atualmente, os tributos federais voltaram a incidir, somando R$ 0,32 por litro. Já os estados, com a adoção do modelo de ICMS monofásico a partir de fevereiro de 2025, elevaram a cobrança de R$ 0,79 para R$ 1,12 por litro, um aumento de quase 42%.
Além dos impostos, o custo do biodiesel, que é obrigatoriamente misturado ao diesel no Brasil, também contribui para manter os preços elevados. Entre 2023 e 2025, o percentual de mistura subiu de 10% para 15%, enquanto o preço do insumo passou de R$ 0,58 para R$ 0,88 por litro. Como o biodiesel é atualmente mais caro que o diesel fóssil, o efeito final é de pressão adicional sobre o preço médio do combustível.
Para o professor Márcio D’Agosto, outro ponto crucial está na estrutura do mercado de distribuição. Ele aponta que a privatização da BR Distribuidora, hoje Vibra Energia, reduziu a capacidade do governo de influenciar os preços praticados. “O governo perdeu o controle sobre os preços das distribuidoras. Isso diminuiu a concorrência e enfraqueceu os instrumentos de política pública sobre combustíveis, que não são apenas uma questão econômica, mas também de segurança energética”, afirma.
No modelo atual, as distribuidoras compram o diesel puro da Petrobras, arcam com impostos, com o custo do biodiesel e com a logística de estocagem e transporte, e depois adicionam uma margem própria antes de repassar o produto aos postos. Essa margem, no entanto, não é pública. “Ela é um segredo comercial das distribuidoras, o que dificulta a transparência na formação do preço final”, observa D’Agosto.
O impacto do diesel caro é especialmente sentido no setor de transportes. Em 2024, o Brasil consumiu 67 bilhões de litros de diesel, combustível que responde por cerca de 60% do transporte de cargas no país. Em uma transportadora, o diesel pode representar até 40% dos custos operacionais, e o frete corresponde, em média, a 30% do preço final das mercadorias.
Apesar das críticas, a Petrobras afirma que não tem influência sobre os preços finais. Em nota, a empresa destacou que o valor cobrado pelas distribuidoras é apenas uma parte da cadeia, que inclui impostos, mistura de biodiesel e margens de distribuição e revenda. Já entidades do setor, como a Fecombustíveis e sindicatos do transporte, reconhecem que os custos cresceram e que a estrutura atual dificulta que os cortes promovidos pela estatal cheguem integralmente ao consumidor.
No cenário atual, especialistas concordam que a única forma de provocar uma queda significativa no preço do diesel seria a redução dos impostos. No entanto, isso implicaria uma renúncia fiscal estimada em cerca de R$ 75 bilhões por ano, somando União e estados, o que torna a medida politicamente e fiscalmente complexa.
Assim, mesmo com a Petrobras vendendo o diesel a preços cada vez mais baixos, o brasileiro continua pagando caro para abastecer, um reflexo direto de impostos elevados, custos do biodiesel e da dinâmica de um mercado de distribuição que, segundo o professor Márcio D’Agosto, ainda carece de maior transparência e concorrência.
Fonte: Economia uol
Um novo estudo do Programa de Engenharia de Transportes (PET) da Coppe/UFRJ aponta os motivos pelos quais milhões de brasileiros continuam a usar motocicletas como principal meio de transporte, mesmo reconhecendo os riscos à segurança viária. A pesquisa, intitulada “Motivações e racionalidades pela escolha da motocicleta como meio de transporte individual na Região Metropolitana do Rio de Janeiro”, foi apresentada recentemente no evento Rio de Transportes 2025 e envolveu 2.616 motociclistas entrevistados.
Os resultados mostram que quase 100% dos participantes sabem que pilotar uma moto é perigoso, mas ainda assim permanecem nessa escolha devido às falhas estruturais dos sistemas de transporte coletivo e às condições urbanas que tornam a motocicleta mais eficiente para o deslocamento diário.
Segundo o estudo, fatores como rapidez, previsibilidade e custo-benefício tornam a moto uma ferramenta essencial para quem precisa se deslocar entre múltiplos pontos da cidade, especialmente em trajetos longos ou em regiões periféricas. Apesar de 98% dos entrevistados terem acesso ao transporte público, muitos consideram esse meio lento, caro e pouco confiável em comparação com a moto.
Os dados nacionais ressaltam a dimensão do fenômeno: a frota de motocicletas cresceu cerca de 18% entre 2023 e 2024, alcançando 28 milhões de unidades no país, e 1 em cada 4 domicílios brasileiros possui uma moto. Os próprios motociclistas responderam por 38,6% das mortes no trânsito em 2023, segundo o estudo.
Para os pesquisadores, a preferência pela motocicleta não é uma escolha livre, mas sim uma resposta às deficiências no transporte coletivo e no planejamento urbano. Conforme destacado no estudo, a moto se tornou uma “solução individual diante de uma falha coletiva”, símbolo das desigualdades e desafios das grandes cidades brasileiras.
Especialistas ouvidos na apresentação reforçam que melhorar a segurança no trânsito exige mais do que campanhas educativas ou fiscalização isolada, é necessário investir em políticas públicas estruturais, que fortaleçam o transporte público e as alternativas de mobilidade urbana para reduzir a dependência das motocicletas.
Fonte: Coppe/UFRJ – Planeta Coppe
Título: “Apoio a Tomada de Decisão na Eletrificação do Transporte Público: Uma Ferramenta de Suporte para Elaboração de Negócio Sustentáveis"
Palestrante: Filipe Leonardo Cardoso de Souza
Orientadores: Matheus Henrique de Sousa Oliveira e Romulo Dante Orrico Filho
Data: 15/12/2025
Horário: 09h30
Modo: Remoto
Banca examinadora:
Prof. Matheus Henrique de Sousa Oliveira – PET/COPPE/UFRJ
Prof. Romulo Dante Orrico Filho – PET/COPPE/UFRJ
Prof. Paulo Emílio Valadão de Miranda – PET/COPPE/UFRJ
Profa. Maria do Rosário Maurício Ribeiro Macário – CERIS/IST/UL
Prof. Maurício de Oliveira de Andrade - UFPE
As ondas de calor extremas, cada vez mais frequentes e intensas em diversas regiões do mundo, já afetam diretamente a infraestrutura e a operação dos sistemas de transporte. Deformações em rodovias, empeno de trilhos, deterioração de pistas de aeroportos e alterações no comportamento de usuários e trabalhadores compõem um cenário desafiador, que pressiona serviços essenciais a operarem em condições inéditas — com reflexos diretos sobre segurança, confiabilidade e inclusão.
Esse diagnóstico integra o relatório “Ondas de Calor e Seus Efeitos nos Sistemas de Transporte: Uma Revisão Abrangente”, produzido por um painel internacional do Global Facility for Disaster Reduction and Recovery (GFDRR), do Banco Mundial, em parceria com a Universidade Purdue, nos Estados Unidos. O estudo contou com a participação da professora Andrea Santos, do Programa de Engenharia de Transportes (PET-Coppe/UFRJ), que integra o grupo responsável por reunir e analisar evidências científicas sobre os efeitos do calor extremo em ativos e operações de transporte, com foco especial em países de baixa e média renda.
O documento examina impactos físicos, operacionais e comportamentais em diferentes modais — rodoviário, ferroviário, aéreo, transporte público e mobilidade ativa. Em todos os casos, a conclusão converge: as altas temperaturas comprometem a integridade estrutural das infraestruturas, alteram padrões de uso e elevam riscos operacionais, exigindo medidas de adaptação mais robustas e abrangentes.
O relatório também evidencia desigualdades sociais que ampliam a vulnerabilidade ao calor. Elementos como renda, idade e gênero influenciam diretamente os riscos enfrentados por usuários e trabalhadores, como idosos submetidos a longos períodos de espera e profissionais atuando em ambientes externos sob temperaturas extremas. Para o grupo de pesquisadores, incorporar critérios de equidade é indispensável para a construção de soluções eficazes, sustentáveis e socialmente justas.
A publicação é acompanhada pela nota técnica “Preparando Sistemas de Transporte Resilientes para Ondas de Calor”, que sintetiza os principais impactos identificados e apresenta estratégias práticas para mitigação e adaptação. Entre as recomendações do painel estão a identificação de vulnerabilidades críticas, o desenvolvimento de caminhos flexíveis de adaptação, o aprimoramento da governança em situações de calor extremo e a implementação faseada de medidas. O documento também alerta para efeitos indiretos de soluções tecnológicas, como pavimentos resfriados que, embora reduzam a temperatura superficial, podem refletir calor adicional para pedestres.
Ao unir base científica, análise técnica e diretrizes estratégicas, o estudo oferece subsídios essenciais para que países e cidades se preparem para o “perigo silencioso” representado pelas ondas de calor. Para a professora Andrea Santos, a cooperação internacional é decisiva: sistemas de transporte resilientes ao calor constituem não apenas uma resposta necessária às mudanças climáticas, mas também um investimento em segurança, eficiência e justiça social.
Fonte: COPPE UFRJ
Título: “Práticas ESG na última milha do e-commerce: uma avaliação do comprometimento corporativo sob a ótica do monitoramento, relato e verificação (MRV)”
Palestrante: Bruna Castro Duarte
Orientador(es): Marcio de Almeida D'Agosto e Daniel Neves Schmitz Gonçalves
Data: 17/12/2025
Horário: 14h
Local: Centro de Tecnologia – Bloco H-106 – Sala 1
Banca Examinadora:
Prof. Marcio de Almeida D'Agosto– PET/COPPE/UFRJ
Dr. Daniel Neves Schmitz Gonçalves - Luth-é
Prof.ª Ana Carolina Maia Ângelo - UFF/VR
Prof. Rafael Garcia Barbastefano – CEFET/RJ